Pesquisadora do OPAJor defende dissertação com proposta de guia para uso ético de IA

A pesquisadora do OPAJor Jéssica Natal realizou a defesa de sua dissertação de Mestrado em Jornalismo pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) com o tema “Jornalismo e Inteligência Artificial Generativa: Proposta para usos éticos possíveis”. A atividade ocorreu no dia 21 de agosto e contou com a participação de Rita Paulino (UFSC) e Marcelo Bronosky (UEPG), além do orientador Guilherme Carvalho (Uninter/UEPG).
A dissertação parte de uma constatação prática: os sistemas de Inteligência Artificial Generativa, como ChatGPT, Gemini e Copilot, estão cada vez mais presentes nas redações. Eles são usados para tarefas que vão desde a transcrição de entrevistas, traduções de textos até a sugestão de pautas e geração de imagens. No entanto, esse avanço ocorre em um cenário de ausência de regulações ou normas específicas e de pouca orientação formal sobre os limites éticos dessa relação.
A hipótese central da pesquisa é que a falta de debate e de diretrizes claras sobre o uso ético da IAG aumenta o risco de publicações de informações enviesadas, desinformação ou até ferindo direitos autorais.
“Este tema surgiu quando eu estava construindo o meu projeto para a seleção no Mestrado em Jornalismo na UEPG, em 2024. Percebi que colegas do jornalismo estavam incorporando a IA, especialmente a Generativa, na rotina de trabalho.”, destaca Jéssica. “A questão ética surgiu com o objetivo de questionar, debater e propor caminhos para o uso. Enquanto jornalista, percebi a falta de um debate ético deste uso na nossa área, e ao revisitar e pesquisar leituras que pudessem me ajudar na construção do projeto, percebi que um debate acadêmico sobre essa temática poderia colaborar para o campo”, completa.
O trabalho resultou na elaboração do "Guia para Usos Éticos da Inteligência Artificial Generativa no Jornalismo". Segundo a pesquisadora, a sugestão para que a dissertação adotasse a metodologia de pesquisa aplicada em jornalismo, partiu de seu orientador, Guilherme Carvalho.
Integrante do OPAJor, ela se refere ao grupo como um espaço fundamental para seu perfil como pesquisadora. “As discussões realizadas nas reuniões, as leituras que fizemos e todos os artigos que surgiram a partir dos nossos encontros, foram essenciais na minha trajetória no mestrado. Em especial, meu caminho metodológico não seria o mesmo sem professores e colegas do OPAJor. Sobretudo, posso dizer que agora quero seguir na pesquisa aplicada no Doutorado por causa do que aprendi no OPAJor”, diz.
Ainda sobre o guia, Jéssica afirma que este produto pode auxiliar num debate entre os jornalistas, para que tenham um olhar crítico quanto ao uso, entendendo que os sistemas de IAG podem ser auxiliares, mas não substitutos do profissional. "O jornalista deve ser o ente principal na produção da notícia, e este Guia situa o profissional para este fim. Como forma de fazer chegar a mais pessoas, estamos planejando publicar textos acadêmicos e divulgar em entidades jornalísticas”, conclui.
O trabalho incluiu a realização de pesquisas exploratórias de opinião e de grupo focal composto por jornalistas que avaliaram o Guia. As estratégias metodológicas também contaram com a contribuição dos membros da banca de qualificação composta por Rita Paulino (UFSC), Marcelo Bronosky (UEPG) e Felipe Pontes (UEPG).
O Guia e a dissertação serão publicados em breve.




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